18.5.09

Um até logo!

Meus queridos 3 leitores,

Este blog irá dar um tempo, como antecipado muito tempo atrás. Quando eu criei o Tudo Outra Vez era uma forma de desabafo, de auto-terapia. Já naqueles dias, a idéia de um blog com prazo de validade me atraía porque tudo na vida é feito de ciclos. Então está se acabando mais um. O Tudo Outra Vez pára aqui e terá mais um único post, que direcionará alguns de seus posts mais legais para a minha página pessoal, a qual eu espero estar no ar até o fim do ano. Para também nào deixar perdido alguém que passe por aqui desabercebido.

Mas eu não gosto de sair assim, sem dar o serviço dos últimos meses. Muita coisa aconteceu desde janeiro. Fui à Cambridge, defendí, peguei frio, voltei e mergulhei de cabeça na academia (não a de exercícios, se bem que essa também está indo bem, mas sem a assiduidade de antigamente). Semana passada eu protocolei na FACEPE o meu projeto de pesquisa para pleitear uma bolsa DCR (Desenvolvimento Científico Regional). Essa bolsa vai me garantir até eu passar num concurso para professor efetivo, preferencialmente na UFPE.

Estou feliz, me realizando, estudando e conhecendo novas pessoas e reencontrando outras do passado. Semana passada eu terminei um módulo de aulas para o curso de mestrado do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da UFPE. As perspectivas para o futuro próximo são boas e estou muito animado. Vou ministrar aulas para os cursos de graduação, mestrado e doutorado no DEQ e tentar publicar o máximo que puder. Tenho um artigo pra ser publicado com meu orientador do mestrado e outro com o co-orientador do doutorado. Preciso dessas publicações. Meu novo chefe (um argelino gente boa), me deu de presente dois alunos de doutorado para co-orientar. Com isso, você deve imaginar como eu estou trabalhando. Ahh! Ainda tem uma colaboração com meu amigo Sérgio Peres, na Polí.

É isso. Então um até logo e aguardem o novo link. Grande abraço.

3.2.09

Neve!

Ontem nevou pra caramba aqui em Cambridge. Nunca havia visto nevar tanto nos meus cinco anos de Inglaterra. Infelizmente só conseguí uma máquina no dia seguinte. Não dá para ter uma idéia exata do que foi o 2 de Fevereiro aqui.

Neve tem uma coisa engraçada. É linda dentro de casa. A primeira vez que se vê neve, é uma festa. O problema vem quando ela começa a ser pisoteada e atropelada pelos carros. Vira uma gosma preta que só faz atrapalhar. Andar de bicicleta, nem pensar. Essa foto mostra os fundos do King's College e a ponte do Clare College no fundo.

Um abraço.

25.1.09

O Poste Ninja

Ao som de David Sanborn

Você aí que dirige, cuidado com os "objetos ninja". Eles aparecem de repente e de forma agressiva para lhe atingir, especialmente se você estiver dando ré. Meu pai já foi vítima de uma coluna ninja e uma vez apareceu um extintor ninja, que pulou atrás do carro de minha mãe, na garagem do meu prédio.

Pois bem, voltávamos eu e Jim de Glasgow depois de um dia estafante que havia começado às 5:30 para ambos. 600 kilômetros depois, um caminhão de mudança descarregado, o cansaço já batia. Perto de Carlisle, íamos trocar a direção. Só que eu peguei a entrada errada e como a van era grande, preferí dar ré. Estava escuro e os vidros sujos não ajudavam muito. Cenário perfeito para um ataque ninja.

Dou ré e vem um grande impacto. Tudo que estava no tabelier do carro voa em cima da gente. Barulho que vidro quebrando e o carro estanca. Quando eu olho pelo retrovisor vejo uma mancha avermelhada por causa das lanternas do carro. Jim pula para fora e grita:

"- Pedro, a gente bateu numa pedra."

Eu então digo que vou puxar o carro, mas ele estava atolado na grama. Piso no acelerador com mais vontade e ele sai patinando. Quando paro, desço correndo. Jim grita de novo:

"- Pedro, o freio de mão."

E nós dois ficamos lá trás por uns 5 segundos tentanto segurar o carro que descia. Corro e pulando pela janela, puxo o freio de mão. Já estava pensando na taxa de 800 libras pelo acidente. Quando chego com calma para ver o que aconteceu, descobrí que havíamos sofrido um ataque do poste ninja, que se posicionou justamente atrás do carro (como sempre). O barulho do vidro do carro foi por causa da luminária, que no impacto não resistiu, caiu e quebrou. O poste ficou empenado à 45 graus. A gente saiu correndo e fomos tomar o café para ver o tamanho do estrago. Para não dizer que nada aconteceu, o parachoque de plástico quebrou. A volta então foi tensa, porque ainda achávamos que íamos ser cobrados e o cansaço nos fez perder o caminho certo. Quase nove horas depois chegávamos à Cambridge.

No dia seguinte, a locadora não cobrou nada. Ainda bem.

Um abraço.

17.1.09

Ph.D. Cantabrigia

Composição: Accioly Neto/Santanna

Eu perdi o vestibular de medicina
Minha mãe ficou zangada, eu nem um pouco
Eu não sei, mas talvez seja muito louco
Aprender a receitar penicilina

Sou nervoso e tenho medo de ver sangue
E a família quer me ver na cirurgia
Costurando quem vem lá do "bang bang"
Que aparece na TV, pois acontece todo dia

Pra ter um anel no dedo e um Dr. no nome
Ser um grande homem, feliz e famoso
Mudar de repente, meu comportamento
Tão escandaloso

Casar com uma virgem
Que nem minha tia
Não me envolver
Com essa má companhia
Que não se penteia, freqüenta a cadeia
e lugar perigoso

Tenho medo da polícia e de bandido
Alergia a marido corneado
E um irmão, que não me sai do pé-do-ouvido
Me dizendo que eu devia
Estudar pra "adevogado"

Outro diz que se eu estudar engenharia
Mesmo sem ter vocação, eu enriqueça
E eu pergunto se esse peste gostaria
Que o prédio que eu fizesse
Lhe caísse na cabeça

29.12.08

O descarrego

E por falar em Seu Mané (veja o post anterior), lembrei-me de uma outra estória curiosa dele. Nas andanças com Tio Waldemir, lá pelos anos 40 e 50, eles ficaram conhecidos como descarregadores de espírito. Quando uma moça das brenhas começava a engrossar a voz, logo corria alguém para a farmácia de Vovô e, muito prestativo, ia ele com titio ver o que acontecia.

Após o rezado miúdo (típico de Vovô) e a tentativa de um diálogo manso com a "entidade", entrava em cena o desencapetador. Uma vara de tabica que servia para chibatar quem estivesse "possuído". Como na estória do sapo cururu, boa parte dos casos era ligada à uma palavra de oito letras: g-r-a-v-i-d-e-z. Outras eram safadeza mesmo.

Um abraço

O rapaz que era cocólatra

Ultimamente eu tenho andado muito por hospitais e médicos de todas as especialidades. Não, não, não! Eu estou em perfeita saúde. Isso tem acontecido pelos motivos certos e errados também. O que importa mesmo é que estava na sala de recuperação com minha mãe, após ela ter feito uma endoscopia. Alguns dizem que o cedativo dá o maior barato e mainha age realmente como se tivesse tomado uma grade de cerveja.

Eu estava lá e um rapaz com gastrite tinha acabado de sair do exame. É certo que a anestesia deixa qualquer um mais aberto e, às vezes, falante. Como sou neto de Mané Tenório, fui saber porque ele estava com gastrite. O resultado foi uma das estórias mais curiosas que já ouví.

Ele se confessou cocólatra. Meio que sem entender eu pedí para ele repetir. Ele assim falou: "Sabe um alcóolatra? Eu sou a versão Coca-Cola de um alcóolatra!". Não ria, como eu fiz, porque o resultado é triste. E muito. O cara bebe cerca de 2 litros de Coca por dia. Isso agora, pois ele está em tratamento. Ele falou que não tem hora, bebe tanto às 6 da manhã (em jejum) como à meia-noite depois da balada. Falou que esconde as garrafas pet do filho e que para trabalhar tem que ter o líquido preto por perto.

Imediatamente lembrei de Bill (o nerd americano que morou comigo no Michael Stoker). Ele é de Atlanta, Geórgia e sabe tudo sobre a Coca-Cola. Passou mais de duas horas contando a história da marca e suas peculiaridades. Mundo estranho.

Grande abraço

28.12.08

O início

Eu acho que nunca escreví aqui como eu tomei a decisão de sair e estudar fora. Ou escreví? Bem, tendo escrito ou não, com certeza todos os acontecimentos não foram ditos...

1998 foi um ano excepcional. Havia voltado à um emprego que eu gostava, havia viajado para o exterior pela primeira vez, comprado minha primeira casa, casado, etc. Estava vivendo plenamente a minha adultice. Mas com as responsabilidades, vieram a vontade de e a necessidade de crescer. Já em 1999 eu estava fazendo o TTC da antiga Sociedade Cultural Brasil Estados-Unidos. Um grupo excepcional. Sem modéstia, acho que naquela noite quente de agosto sentavam na mesa o crème de la crème daquela geração. Léo Rabêlo, Renato, Tatiane, Milena e eu discutíamos (ou filosofávamos) sobre o futuro. E eu falei que deveria mudar minha vida, pois era preciso. Como? Eu ainda não sabia.

Um mini-curso da Oxford Press no Conselho Britânico e um cartaz mudaram minha vida e me mostraram o caminho. Quase 10 anos são passados. Muitas outras ações foram tomadas e repercutiram, mas olhando para trás, foi naquela conversa que as coisas mudaram. Dalí saiu a indignação com o desperdício em que eu era exposto todos os dias em que eu ganhava a bolacha. Dalí a necessidade de fazer diferente surgiu. Dalí a constatação da banalização do diploma puro e simples revelou-se. Muitas Maurícios de Nassau depois, vejo que preví o futuro certo de um futuro incerto.

Agora perto do fim, quero relembrar aqueles sonhos...

30.11.08

De volta e mais leve...

Ao som de Feel Good Inc., Gorillaz

Desde o dia 7 de novembro, estou em casa novamente e com uma tonelada a menos nos ombros. Lá em Cambridge foram quase dois meses de um trabalho incessante, cansativo e frenético. No final a recompensa: submetí minha tese no dia 5 de novembro. Foram dias de tensão, pouca alimentação e muito, muito estresse. Se todo doutorando tem que passar por isso para terminar, eu não desejo isso à nenhum colega.

Re-ví bons amigos, passei frio e alguma raiva. No retorno ao Recife, uma semana de príncipe e muitas, muitas fotos. Agora eu começo a me preparar para a defesa que vai acontecer no final de janeiro. E isso me lembra que esse blog está nos momentos finais. A idéia de um blog perene permanece, mas não mais o "de volta à Pindorama", pois perdeu o sentido. Estava pensando em algo mais underground...

Abraços