Estava comendo no college com Carol Galega e Mark, um historiador canadense gente boa, sentou conosco. Eu já tinha comentado com ele sobre o Tropa. Então, ele entrou com os dois pés:
- Quando eu sento com vocês, sempre estão falando de criminalidade no Brasil.
Aquilo já me deixou puto. Mark deve me achar um facista, porque sempre que conversamos eu defendo alguma posições radicais que eu tenho, como por exemplo adotar a lei de Singapura no Brasil. Mas estamos todos no limite (ele também está terminando) e você acaba relevando algumas comentários.
- Estamos comentando o filme que é sucesso no Brasil.
- Sim eu sei, Pedro já havia me falado.
- Sim, mas agora eu ví o filme. E tenho um novo ídolo. Capitão Nascimento.
- E por que ele é seu ídolo?
Então, contei a cena da tortura e o porquê da expressão "Põe na conta do Papa!". Então ele me olhou com aquela cara de reprovação e falou:
- E esse é seu herói agora?
Foi a gota que faltava. Eu baixei a colher e perguntei:
- Mark, você sabe o que é dirigir um carro à noite e ter um sinal vermelho na sua frente e não parar? Não parar porque você tem medo de ser assaltado e ter que escolher correr o risco de causar um acidente?
- O Recife é tão violento quanto o Rio?
- É. Sabe o que aconteceu ante-ontem em Recife? Um casal namorava no portão do rapaz por volta da oito da noite. Ele entrou para pôr o filho na cama. e quando voltou, viu cinco homens rendendo a namorada. Foi rendido, levaram para um terreno afastado, deram-lhe dois tiros na cabeça e estruparam a moça.
Alguns segundos de olhos arregalados.
- Você acha que esses cinco bandidos merecem ter direitos humanos, ou sequer sabem o que isso significa?
Levantei-me e fui buscar meu prato. É muito difícil para um extrangeiro entender a complexidade da criminalidade no Brasil. É difícil para nós, brasileiros, entendermos. Por isso que o Capitão Nascimento é hoje o herói nacional.
Em Recife a violência apresenta números estratosféricos. Uma passada pelo blog da violência, o PE Body Count, mostra o quanto se mata. Não vou fazer aqui o comparativo idiota de uma guerra qualquer. O problema da violência no Brasil pode ser dividido em duas partes bem distintas. E duas soluções igualmente diferentes.
A primeira parte é o crime ou criminalidade por sí só. A outra é a certeza de ipunidade. Não adianta combater uma sem resolver a outra. Para isso, têm-se que criar uma solução de curto prazo e outra de médio-longo prazo. A última é logicamente educação. Têm-se que pensar num plano de 30 anos. Uma sociedade que tenha mais oportunidades é uma sociedade menos violenta. Sem a demagogia do abismo cultural ou da má distribuição de renda, uma escola de qualidade irá formar melhor as opiniões, trazer mais qualificação e consequentemente, azeitar a economia.
Mas o que fazer para o dia de hoje?
Tolerância Zero e consistência.
Assim, Nova Iorque reduziu a criminalidade nos anos oitenta. Num primeiro momento, os confrontos seriam grandes e as baixas muitas. Mas, com a continuidade das ações e o entendimento de um estado que joga duro e para ganhar, nenhum bandido não iria continuar guerreando. O que alimenta a guerrilha é a fraqueza do estado ou a percepção de transiedade dos meios de repressão e luta.
Favelas são dominadas pelo tráfico? Como se separa a bandidagem de uma população de 50, 100, 200 mil habitantes em uma favela no Rio de Janeiro?
Construam-se pequenos, mas muitos conjuntos habitacionais para 3 mil pessoas. Não os faça no cú do mundo, mas em locais centrais, com uma infra-estrutura decente com uma escola pública de qualidade perto, com uma praça para o desporto e façam-se leis rígidas e tenham-se políticas sociais planejadas. Dêem a posse desses imóveis para as mulheres, que são a garantia da continuidade do núcleo familiar. E evacuem as favelas!
Sonho? Não. No Recife fez-se isso. Não na escala necessária, não da forma que seria preciso.
Mas enquanto o estado não intervir e continuar teimando em discutir a alcova de senadores, manter a CPMF e formar alianças para eleições municipais, os reais problemas sempre passarão ao largo. Turismo é a segunda fonte de receita no mundo e qual posição o Brasil ocupa no turismo mundial? Por que?
Para não faltar, como hoje é sábado, Capitão Morrimento interroga.
Um abraço
27.10.07
19.10.07
Novo Herói
Agora eu tenho um novo ídolo. Aqui ele aparece dando e fazendo entrevistas. Quarta-feira eu escrevo mais sobre ele. Divirtam-se!
Tobby entrevistando:
Morrimento interrogando:
Tobby entrevistando:
Morrimento interrogando:
4.10.07
O Big Ben Finalmente Encontra Owo
Londres - 29 de Setembro de 2007
Ao som de Baba O'Riley - The Who
Quando eu estava para vir estudar na Inglaterra, em dezembro de 2003, Oswaldo (Owo) prometeu que um dia viria me visitar. A promessa foi cumprida sábado passado. Peguei um ônibus e fui encontrar com Salsa Neto na Terra da Rainha. A gente andou por quase todo o percurso obrigatório lá. Fomos ver a troca da guarda (que não aconteceu naquele dia), depois corremos para Trafalfagar e descemos para o parlamento, passando pelo número 10 em Downing Street. Infelizmente a gente se perdeu do grupo que tava com ele e só nós três (Ele, Cristiane e eu) fomos à Notting Hill. Eu tinha ido lá uma vez só, ainda em 2001 e não lembrava muito. Oswaldo tirou fotos na loja de livros do filme. Lá você começa a se sentir em Londres. Um pouco fora do circuito turístico (hoje nem tanto). Ou como Owo me escreveria depois, "introspectivo". De lá, fomos a Camden. É esquisito como, ao passear por Londres, eu sinto uma indentificação com Camden. Talvez por tanto visitar Júnior naquela área, fez de Camden a minha vizinhança. Os punks, as lojas de piercings, a galera underground que me remete aos guetos do Recife e à Rua da Moeda. Visita obrigatória à Cyberdog e depois do jantar um pint.
No domingo, eu estava cansado, mas valeu à pena. Um abraço.
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