25.1.09

O Poste Ninja

Ao som de David Sanborn

Você aí que dirige, cuidado com os "objetos ninja". Eles aparecem de repente e de forma agressiva para lhe atingir, especialmente se você estiver dando ré. Meu pai já foi vítima de uma coluna ninja e uma vez apareceu um extintor ninja, que pulou atrás do carro de minha mãe, na garagem do meu prédio.

Pois bem, voltávamos eu e Jim de Glasgow depois de um dia estafante que havia começado às 5:30 para ambos. 600 kilômetros depois, um caminhão de mudança descarregado, o cansaço já batia. Perto de Carlisle, íamos trocar a direção. Só que eu peguei a entrada errada e como a van era grande, preferí dar ré. Estava escuro e os vidros sujos não ajudavam muito. Cenário perfeito para um ataque ninja.

Dou ré e vem um grande impacto. Tudo que estava no tabelier do carro voa em cima da gente. Barulho que vidro quebrando e o carro estanca. Quando eu olho pelo retrovisor vejo uma mancha avermelhada por causa das lanternas do carro. Jim pula para fora e grita:

"- Pedro, a gente bateu numa pedra."

Eu então digo que vou puxar o carro, mas ele estava atolado na grama. Piso no acelerador com mais vontade e ele sai patinando. Quando paro, desço correndo. Jim grita de novo:

"- Pedro, o freio de mão."

E nós dois ficamos lá trás por uns 5 segundos tentanto segurar o carro que descia. Corro e pulando pela janela, puxo o freio de mão. Já estava pensando na taxa de 800 libras pelo acidente. Quando chego com calma para ver o que aconteceu, descobrí que havíamos sofrido um ataque do poste ninja, que se posicionou justamente atrás do carro (como sempre). O barulho do vidro do carro foi por causa da luminária, que no impacto não resistiu, caiu e quebrou. O poste ficou empenado à 45 graus. A gente saiu correndo e fomos tomar o café para ver o tamanho do estrago. Para não dizer que nada aconteceu, o parachoque de plástico quebrou. A volta então foi tensa, porque ainda achávamos que íamos ser cobrados e o cansaço nos fez perder o caminho certo. Quase nove horas depois chegávamos à Cambridge.

No dia seguinte, a locadora não cobrou nada. Ainda bem.

Um abraço.

17.1.09

Ph.D. Cantabrigia

Composição: Accioly Neto/Santanna

Eu perdi o vestibular de medicina
Minha mãe ficou zangada, eu nem um pouco
Eu não sei, mas talvez seja muito louco
Aprender a receitar penicilina

Sou nervoso e tenho medo de ver sangue
E a família quer me ver na cirurgia
Costurando quem vem lá do "bang bang"
Que aparece na TV, pois acontece todo dia

Pra ter um anel no dedo e um Dr. no nome
Ser um grande homem, feliz e famoso
Mudar de repente, meu comportamento
Tão escandaloso

Casar com uma virgem
Que nem minha tia
Não me envolver
Com essa má companhia
Que não se penteia, freqüenta a cadeia
e lugar perigoso

Tenho medo da polícia e de bandido
Alergia a marido corneado
E um irmão, que não me sai do pé-do-ouvido
Me dizendo que eu devia
Estudar pra "adevogado"

Outro diz que se eu estudar engenharia
Mesmo sem ter vocação, eu enriqueça
E eu pergunto se esse peste gostaria
Que o prédio que eu fizesse
Lhe caísse na cabeça